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riscos_e_rabiscos

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Olhó Passarinho!

 

Tirando o cansaço que tenho em cima, posso dizer que hoje até foi um dia relativamente calmo.

 

First things first. Começei as minhas aulas no galinheiro. assim que lá chego está o loiro-burro de castigo. É verdade que os miúdos loiros de caracóis parecem anjinhos. Mas é apenas isso. Este é um lobo em pele de cordeiro. Resumindo, no recreio dei cabo da cara toda de um colega que ficou todo arranhado graças a uma festinha sua (entenda-se valente empurrão).

 

Na minha aula continuou armado em "chico esperto". Desafiador, mal-educado e mandrião. Pedi-lhe a caderneta do aluno pois admito muita coisa menos insolência e má-criação. Acreditam que o puto se recusou a dar-me e até disse que eu-não-ia-mandar-um-recado-para casa...

Passei-me!!! Levantei-me da cadeira, repentinamente, pronta a enfiar a mão na confusão da mochila do puto.

O meu neurónio lá funcionou e o puto entregou-me a caderneta. Ficou com uma beiçola até ao chão porque pressupôs que eu iria ter peninha dele e não mandar recado para casa. Humpf!

 

Mais 65 escadas e uma subida de rua íngreme sob sol escaldante, e lá vou eu entregar-me nas mãos de Deus, que é como quem diz, vou para o convento.

As aulas aqui foram o máximo! Hoje foi dia de sessão fotográfica geral.

 

Na minha primeira não-aula, estive a arranjar a vestimenta dos putos, a pentear os piolhos de cabelos a escorrer suor pelo calor das brincadeiras. Grande seca! Estive eu a perder imenso tempo a preparar actividades para o Halloween para isto!!! Onde pára o livro de reclamações?!

 

Na turma seguinte, tinha meia dúzia de gatos pingados... Perguntam vocês porquê. Elementar, meus caros blogueiros, a sessão fotográfica continuava. Desta vez era a foto dos irmãos com irmãos. Oh God!

 

Para rematar o dia, nada melhor do que levar, durante todo o percurso de bus, com um velho sentado à minha frente a  tresandar a chulé e com um indiano atrás de mim a espirrar e a sacar escarretas... bulergh!!!

 

Digam lá que a minha vida não é dura...?! Irra!

 

Dia Dos Doidos

                    

 

A quinta-feira é o meu pior dia da semana. Já vos contei que este ano estou a trabalhar num terceiro colégio? Pois é... E este colégio parece a escola dos doidos. começando por mim, claro!

 

Pra começar, cada turma tem dois níveis e só há duas turmas. Numa das turmas, tenho um choramingas mariquinhas, um bangladeshiano (inventei esta agora!), um indiano, um africano, um que tem pioneses na cadeira, e um com síndrome de asperger. Estas aulas são uma animação!

 

Mas a outra turma também não se fica atrás! Tenho um loiro "burro" (sem conotações negativas, atenção), um chinês que não se calara - deve ser do glutamato de sódio da comida -, uma chinesa comichosa e outro mais surdo que uma porta, tadito. Saio de lá cansada de ter de falar em tom elevado.

 

Para completar a festa, as salas onde dou aulas devem ser uns ex-galinheiros. Para sair daqui e ir para o convento, tenho de subir 65 escadas de um fôlego só e mais uma subida serpenteante.

 

Saio do galinheiro para me enfiar no convento. Aqui, com sorte, tenho as caixas das tartarugas todas sujas e mal cheirosas dentro de uma sala de aulas e mais um ou dois pássaros à solta. Mas esta história fica para vos contar noutro dia!

 

De Volta!

 

E pronto. Cá estou eu de volta novamente, assim, de mansinho...

 

Tenho muita coisa para contar ou desabafar - nem sei - mas é preciso tempo e organização de ideias.

 

A minha mãe está a recuperar muito lentamente, pois a anemia não a deixa ter força nenhuma. Mas aos poucos vai indo, um dia atrás do outro.

 

Eu ando muito cansada e cheia de trabalho, como devem calcular. Nem tenho tido tempo para escrever aqui nada e nem responder aos vossos comentários... Sorry!

 

Vou tentar ser um pouco mais assídua aqui no meu cantinho e nos vossos também. Mas com calma...

 

Já sabem que eu não resisto a mudar de "cara" ao blog. Farto-me depressa de ter sempre a mesma coisa. Este template foi feito tão lentamenteeee... e ainda tem umas coisinhas para acertar... Mas o que acham?

 

Posto De Comando

 

Felizmente a minha mãe melhorou ligeiramente. Graças ao soro bebível que lhe comprei na farmácia, mesmo sem recomendação médica, - quiçá porquê – os sintomas da virose pararam.

 

Muita insistência para comer, invenção de mil comidas e lá foram umas colherinhas boca abaixo. Mas muito pouco! Mas pelo menos parece que estamos a engrenar no bom caminho.

 

Mas o pior é que a minha mãe… montou, a partir da cama, um verdadeiro posto de comando!!! “Agora dá-me isto”, “agora faz aquilo”, “vai aqui”, “faz o outro”, “traz-me o…”, “não te esqueças de aqueloutro”. E aqui a minha pessoa a andar para trás e para a frente que nem uma barata tonta. E nem há hipótese de moleza porque ela desata a dizer a mesma coisa dezenas de vezes se for preciso. Até que o seu “comando” tenha sido cumprido.

 

Resumindo: instalou-se por aqui um regime de tirania em que só prevalece a vontade da comandante-em-chefe. E eu? Eu ando por aqui aos caídos, semi-zombie de tanto cansaço, com toneladas de coisas para fazer mas sem tempo. É que à noite, quando as coisas “acalmam” um nadinha, eu já não tenho capacidade física nem psicológica para fazer o que quer que seja! Oh vida!

 

P.s. – Tenho o meu irmão com uma bela constipação. Já começou com “pedidos” digamos assim. Já fui avisando “dois a pedir, não!”. Just in case

 

Ponto De Situação

          

 

Não sei o que fazer. Estou a chegar a um ponto labiríntico. Já me fartei de chorar hoje.

 

A minha mãe não pode ficar sozinha em casa e nem eu posso faltar ao trabalho.  Começo a faltar ao trabalho, sou dispensada.

Por este dois motivos, uma vizinha amiga fez o favor impagável de ficar de tarde com a minha mãe nestes últimos dois dias.

 

Hoje cheguei a casa, fui ver como ela estava e o que tinha comido. É então que a minha vizinha me diz “ eu só a vi beber água” e ela manteve-se calada, por isso essa é a verdade.

 

Fiquei muito decepcionada e revoltada. Ando sempre de volta dela para ver o que quer comer a dar sugestões mas ela é super esquisita.

Tenho tido umas semanas que ninguém imagina. É tratar dela, do resto da família (que chega a casa e não gosta da comida), da casa, das minhas coisas da escola com todos os minutos mais que recontados pois tenho de sair de casa quase sempre por volta do meio-dia ou antes. Geralmente o meu almoço é um bocadinho de pão comido à pressa e uma maçã roída no autocarro. O stress não me deixa comer, não consigo.

 

E é aqui que a decepção e a revolta entram. E hoje passei-me. Disse-lhe duas que ela não deve ter gostado.

Avisei-a que se quer morrer que diga logo e caso ela não faça um esforço, vou pedir à médica para a internar no hospital.

Virei costas lavada em lágrimas.

 

Opa, será que é tão difícil fazer um esforço para engolir algo? Será que é muito difícil esquecer as suas esquisitices, pelo menos, até melhorar? Será que eu não mereço que ela se esmere um bocadinho e vá comendo umas coisinhas?

 

Se não o faz por ela, pelo menos que o faça por mim.

 

Revezes Da Vida

         

 

Quando pensamos que a nossa vida está a voltar a entrar nos eixos, eis que um diabinho nos vem soprar ao ouvido que vamos dar uma queda valente. E assim foi.

 

No momento em que parecia que a minha vida maluca sem tempo para nada ia começar a acalmar, volta tudo ao mesmo ponto de partida.

 

Fim-de-semana prolongado, uma esperança de poder descansar um pouco para retemperar forças. O que aconteceu até certo ponto.

Domingo de manhã telefona-me o meu irmão a dizer que a minha mãe está com sintomas de virose e não saía da casa de banho. Fiquei logo preocupada. Aconselhei uma série de medidas que duvido que ela as tenha seguido.

 

À noite a coisa agudizou-se de tal maneira, que teve de ir para o hospital. Algumas duas horas a soro, realização de análises e regresso a casa às cinco e meia da manhã com a receita da medicação e uma dieta rigorosíssima.

 

No dia seguinte, debaixo de uma chuvada valente, procurei a farmácia de serviço mais próxima para aviar a medicação e atacar imediatamente a virose. Passei a tarde a fazer compras e a fazer a comida prescrita na dieta. Cheguei à noite arrasada física e psicologicamente.

 

Voltou tudo ao princípio: tratar da casa, da minha mãe, das comidas para o meu pai, irmão e cão, verificar se ela come e se toma a medicação. Tempo para preparar as minhas aulas? Não existe. Estão completamente descuradas e não tarda nada estou a ser chamada à atenção.

 

Preocupa-me imenso ela não fazer um esforço para comer. Preparei-lhe tudo e mais alguma coisa que ela podia comer. Depois que os nossos pais chegam a uma determinada idade, tornam-se crianças e só fazem o que querem. É o que se passa com a minha mãe que tem um génio do caraças! Teimosaaa…!

 

Preocupa-me ainda o facto de ela ter que ficar sozinha em casa – não posso baldar-me ao trabalho senão sou dispensada – e de nem sequer acender a TV para ver as novelas e os programas brasileiros que ela tanto gosta. Está a entregar-se completamente à virose, a este desânimo. Não está a lutar contra nem a reagir.

 

Que posso eu fazer mais? Ando de rastos. Farto-me de trabalhar aqui em casa mas nada é para a escola. Chego à noite sem alento nenhum para o que quer que seja a não ser arrumar ou fazer comida.

É é claro que, como ando preocupadíssima, só tenho pesadelos, não consigo ter um sono descansado…

 

Estou mesmo a ver que se ela não melhorar, vou ter de a levar de novo ao hospital e ser internada. Se ela cai na fraqueza, então, é que é o fim de tudo.

 

Só vos digo que os meus nervos andam na última nem consigo comer. Como qualquer coisita para não dizer que não como e lá sigo eu de mala às costas para a escola.

 

Hoje Estou...

... assim!!!

 

(a malinha é que era diferente e bem mais pesada!)

 

Comecei hoje no meu terceiro colégio novo e... nem forças tenho pra escrever um simples texto!

Agora dêem azo à vossa imaginação.

 

 

 

 

P.s. - Tenho de deixar aqui os meus agradecimentos à indústria paliteira pela qualidade destes palitos que me seguram as pálpebras serem de tão boa qualidade. É que as pálpebras estão pesadíssimas e eles ainda não vergaram...